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Museu Nacional dos Coches, Lugar, projeto e Obra

Durante muitos anos a estrutura urbana que hoje reconhecemos como área turística e monumental de Belém, esteve incompleta.

Mas este lugar que foi ganhando limites precisos e vocação de espaço publico por excelência, manteve até se construir este museu, uma frente não referenciada, que não lhe pertencia, espaço murado onde estiveram instaladas as oficinas de material eléctrico do exercito.

É nesse lugar que se constrói o Novo Museu dos Coches.

Este equipamento que se destina à cultura e às artes, dá nota dessa vocação na forma como aborda a questão urbana, o lugar público, a cidade.

Fá-lo precisamente no modo de construir cidade para os cidadãos, de se relacionar com o que já existe num dialogo elaborado, não mimético ou de repetição, mas numa dialéctica própria da cidade onde o tronco dos interesses comuns deve prevalecer às linguagens especificas de cada tempo ou opinião.

E esse lugar comum é a possibilidade de “amparar a imprevisibilidade da vida” através da arquitectura, como nos recorda tantas vezes Paulo Mendes da Rocha.

Aqui, nesta parte de cidade, pode reconhecer-se o lugar público antes do edifício público. Através da forma como se integram as casas que constituíram a frente da Rua da Junqueira e que agora tem nova frente para a praça do museu; das passagens de diferentes escalas que fluem para o lugar do museu com informalidade, como nos habituámos a experimentar na cidade espontânea; ou ainda através do sistema de circulações exteriores e interiores em variadas altimetrias que emprestam a todo o lugar uma visão plural e optimista da vida urbana.

É neste território, intervalo entre espaços formais e informais, que se há-de celebrar a plena cidadania.

Ricardo Bak Gordon

Editor

José Manuel das Neves