Belém Lima

O Cais Bagauste não tem chão. Suspende-se na água larga do rio Douro, ali entalado contra a estrada marginal, veloz, violenta. Acolhe o bulício da canoagem e do remo em duas casas perfeitas. A cafeteria e o armazém de canoas são simultâneamente platónicas e um enigma. Devolvem o sol poente, no seu forro unicus em alumínio.

O edifício 0500EET existe protegido e protetor. Protegido, na sua limpidez opaca. Agressivo, disfarçado, depois amável. Disseram dele um gigante ao sol CAMANHO e AGRA… uma sombra que não quer aparecer CHAFES. Contra a cidade que se dissolve, quer ser edificante SLOTERDIJK, não fluido,

nem flexível. Apenas um instante, não futuro, na história que acrescenta. Não está em guerra com nada. Quer durar.

Editor

José Manuel das Neves